Como a socialização com outras pessoas pode fazer você se sentir melhor

Como a socialização com outras pessoas pode fazer você se sentir melhor -Sarah Bell   =>BBC News Brasil

Você sabia que passar o tempo com outras pessoas pode ser tão fundamental para a saúde quanto fazer exercícios e comer alimentos saudáveis?

A socialização, muitas vezes, parece um prazer, mas ela pode promover nossa saúde mental e física, segundo o neurocientista americano Ben Rein.

Ben Rein detalha os argumentos no seu livro Why Brains Need Friends: The Neuroscience of Social Connection (“Por que os cérebros precisam de amigos: a neurociência da conexão social”, em tradução livre).

“Quando nos conectamos com outras pessoas, geralmente nos sentimos melhor. Isso ocorre porque temos esses sistemas no cérebro (os sistemas de recompensa social) que nos fazem bem”, conta ele à BBC.

Este trio de neurotransmissores é composto pela oxitocinadopamina e serotonina, que são liberadas quando socializamos.

O processo se origina na evolução humana, quando viver em grupos era fundamental para sobreviver.

“Deveríamos realmente levar essas oportunidades a sério para hackear nossa biologia nos conectando com outras pessoas”, explica Rein.

O papel da oxitocina é um bom exemplo. Conhecida como o hormônio do amor, ela já foi chamada de remédio da natureza.

A oxitocina também tem o propósito evolutivo de garantir a continuidade da espécie humana. Seus níveis atingem o pico durante dois tipos fundamentais de relacionamentos: o amor romântico, garantindo que amamos nosso parceiro e queremos fazer sexo, e os laços entre pais e filhos.

“Faz sentido que ela proteja o nosso corpo… para podermos estar disponíveis para ajudar os mais jovens”, afirma o cientista.

Se a socialização nos faz bem, por que a maioria das pessoas não socializa com mais frequência?

Para Rein, vivemos no “mundo pós-interação”. E uma das principais causas é “a automação de tudo”, retirando ações que nos colocavam frente a frente com outro ser humano.

Ele indica o uso cada vez maior dos caixas de autoatendimento do supermercado.

“Agora, você não precisa interagir com o caixa — ou pede o supermercado online”. “Na verdade, não mudamos nossas necessidades. Ainda precisamos nos conectar tanto quanto antes”, explica ele.

E, apesar da conveniência, a comunicação virtual não consegue fornecer o mesmo nível de satisfação para o nosso cérebro, já que evoluímos para interagir frente a frente com os demais. “É como fast food para o cérebro social”, compara ele.

“É fácil, conveniente, mas não é um substituto nutricionalmente equivalente para o contato real. É por isso que também estamos caindo nesse fosso do isolamento.”

O conselho de Rein é tentar “elevar” as interações ao máximo possível.

“Em vez de enviar uma mensagem de texto para alguém, pegue o telefone. Se estiver no telefone, tente fazer uma chamada de vídeo. Se você estiver em uma chamada de vídeo, verifique se vocês podem se encontrar pessoalmente.”

 

“Sempre que você puder restaurar a textura e a profundidade das suas interações, provavelmente, haverá mais benefícios para o seu cérebro.”

A conexão pode melhorar nosso bem-estar individual, mas ele acredita que também pode trazer enormes consequências para todo o mundo.

“Existem muitos benefícios biológicos, psicológicos e culturais para nos darmos bem com os demais. E é surpreendente que não aproveitemos isso de forma mais consciente.”

materia completa:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0e7p4grj8do

 

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