Quem tem maior probabilidade de ficar solteiro por mais tempo? Estudo aponta perfil –Fernanda Zibordi =>Revista GALILEU
A solteirice é vista de diferentes formas: para alguns é sinônimo de liberdade e autonomia, enquanto para outros pode significar um estado de solidão. A verdade é que, cada vez mais, as pessoas estão optando em permanecer solteiras. Uma pesquisa liderada pela Universidade de Zurique (UZH), na Suíça, decidiu investigar como ficar solteiro por muito tempo pode afetar o bem-estar.
Publicado em 13 de janeiro na revista científica Journal of Personality and Social Psychology, o estudo utilizou dados de mais de 17 mil jovens da Alemanha e do Reino Unido que não tinham experiências prévias em relacionamentos, ao menos, até o início da investigação.
Os pesquisadores verificaram que, além de uma solteirice prolongada gerar um maior nível de insatisfação com a vida, ela acontece principalmente em homens com maiores níveis de escolaridade, com menores níveis de bem-estar e que moram sozinhos ou com os pais.
Dados do IBGE publicados em 2023 relataram, pela primeira vez, que o número de solteiros ultrapassou o de casados no Brasil – com 81 milhões de solteiros versus 63 milhões de casados. Isso faz parte de uma tendência mundial de enxergar a solteirice como uma opção digna, isenta de pressões e não mais associada à solidão.
O estudo da universidade Suiça trabalhou com jovens adultos de 16 a 29 anos de idade, entrevistados anualmente ao longo da investigação. Através das informações coletadas, os pesquisadores traçaram o perfil mais propenso a ficar solteiro por mais tempo.
“Os resultados demonstram que tanto fatores sociodemográficos, como escolaridade, quanto características psicológicas, como bem-estar atual, ajudam a prever quem iniciará um relacionamento romântico e quem não iniciará.
Também foi sugerido que jovens adultos – tanto homens quanto mulheres – que permanecem solteiros por longos períodos podem experimentar um declínio mais acentuado na satisfação com a vida e um aumento nos sentimentos de solidão. Esses efeitos no bem-estar se tornariam mais pronunciados ao final dos 20 anos, mesma etapa da vida em que sintomas de depressão aumentam.
Efeitos de um primeiro amor
Outro dado interessante levantado pela pesquisa foi a melhoria do bem-estar em diversas frentes assim que os jovens iniciavam seu primeiro relacionamento. Eles relataram se sentir menos sozinhos e com maior satisfação com a vida, tanto a curto quanto a longo prazo.
De certa forma, os dados obtidos no estudo vão contra o discurso em defesa da solteirice crescente entre jovens adultos. Segundo Michael Krämer, os resultados sugerem que iniciar um primeiro relacionamento pode se tornar mais difícil à medida que vamos chegando aos 30 anos, justamente porque menores níveis de bem-estar aumentam a probabilidade de permanecer solteiro por mais tempo.





