3 formas divertidas de manter o cérebro jovem por mais tempo -Melissa Hogenboom => BBC Future
Se você tivesse duas opções — uma tarefa fácil e outra difícil — qual escolheria fazer? O mais provável é que todos nós optássemos pela mais fácil, e com razão.
Recorrer a atalhos mentais é algo inerente à nossa biologia: uma estratégia evolutiva criada para poupar energia.
A tecnologia apenas ampliou essa capacidade. Por isso, é tão tentador buscar atalhos e concluir tarefas com o mínimo de esforço possível.
Mas se isso levar a uma redução do nosso esforço mental, pode acabar prejudicando nossa longevidade e a saúde de forma geral.
Nosso tempo de “vida saudável” — ou seja, o número de anos em que as pessoas vivem com boa saúde — está diminuindo em muitas partes do mundo.
Segundo pesquisadores, à medida que as pessoas vivem mais, o número de anos que elas passam com problemas de saúde tende a aumentar. Quando se trata do cérebro, há medidas que podem ajudar a prolongar uma vida saudável.
Basicamente, quando participamos de atividades que nos desafiam, estamos construindo o que os especialistas chamam de “reserva cognitiva”, que tem um efeito protetor sobre o cérebro.
E existem muitas formas de fazer isso no dia a dia.
“Independentemente da idade, há coisas que podemos fazer — em maior ou menor grau — que podem dar um pequeno impulso às nossas habilidades cognitivas”, afirma o psicólogo Alan Gow, da Universidade Heriot-Watt, em Edimburgo, na Escócia.
E a boa notícia é que não precisamos mudar radicalmente nossa rotina: basta fazer pequenas mudanças graduais nos aspectos físico, social e mental para proteger o cérebro.
Três formas simples e prazerosas para começar.
Navegação espacial
Uma estratégia para se proteger do declínio cognitivo associado ao envelhecimento é focar em uma parte específica do cérebro.
Diversos estudos mostram, por exemplo, que motoristas de ambulância e de táxi apresentam uma das menores taxas de mortalidade associadas ao Alzheimer em comparação com outras profissões.
Segundo pesquisadores, isso acontece justamente porque esses profissionais exercitam mais o cérebro em tarefas de “processamento espacial”.
Também se sabe que taxistas que passaram anos memorizando as ruas da cidade sem recorrer a mapas têm um hipocampo maior.
Todos nós podemos nos esforçar para desenvolver nossas habilidades espaciais por meio de esportes ou, no caso das crianças, brincando com blocos de montar.
Descobrir como chegar a um destino sem recorrer ao mapa do celular também pode ser benéfico, já que o uso do GPS tem sido associado à piora da memória espacial.
Vida social ativa
Nesse sentido, diversas pesquisas têm mostrado que nos manter socialmente ativos nos protege contra o declínio cognitivo.
Isso também foi confirmado por um amplo estudo observacional, que concluiu que pessoas que permaneceram mais socialmente ativas durante a meia-idade e a velhice apresentavam um risco entre 30% e 50% menor de desenvolver demência. Segundo os autores, isso acontece porque esse tipo de atividade aumenta a reserva cognitiva.
Acredita-se que isso aconteça porque manter uma vida social ativa ajuda a reduzir o estresse, tornando as pessoas mais resilientes diante dos desafios da vida.
O estresse crônico, por outro lado, tem sido associado à perda de neurônios no hipocampo.
“O fator protetor está na capacidade de dialogar, debater e compartilhar ideias. Essas conversas também podem exercer um efeito protetor sobre o cérebro”, afirma a epidemiologista Pamela Almeida-Meza, do King’s College London.
Quando interagimos com outras pessoas, ativamos diversas áreas do cérebro: desde as relacionadas à linguagem e à memória até as envolvidas no planejamento futuro.
“Existe um componente cognitivo que estimula a mente. Portanto, isso pode favorecer a saúde cerebral; mas também sabemos que manter boas conexões sociais reduz uma série de fatores de estresse de natureza fisiológica”, afirma o psicólogo Alan Gow (Universidade Heriot-Watt).
Aprendizado ao longo da vida
Indivíduos que passam mais tempo se formando em educação apresentam menor risco de desenvolver demência.
O aprendizado ao longo da vida pode contribuir para gerar os mesmos benefícios protetores à saúde.
Nosso cérebro responde bem diante de desafios e da novidade, já que isso fortalece as áreas cerebrais mais vulneráveis ao envelhecimento.
Já é comprovado que, ao manter o cérebro ativo, o declínio cognitivo é mais lento.
Uma razão fundamental para esse fenômeno é que o aprendizado gera novos neurônios e, ao mesmo tempo, fortalece os já existentes, o que pode atuar como um mecanismo de proteção contra o envelhecimento e a morte celular.
Isso é a neuroplasticidade em ação: a capacidade do cérebro de se adaptar e se transformar ao longo de toda a vida.
“É precisamente essa plasticidade, e essa capacidade de regenerar novas células nervosas e sinapses, que confere às pessoas resiliência frente à Doença de Alzheimer”, afirma Dennis Chan.
À medida que envelhecemos, nossa vida cotidiana se torna mais rotineira e temos menos oportunidades de aprender.
Existem diversas formas de conseguir isso: é possível tentar a jardinagem — que já foi associada à preservação da função cognitiva —, participar de um clube do livro ou simplesmente comentar o que se está lendo com um amigo.
Em resumo, o que fica claro é que qualquer atividade que estimule o cérebro é benéfica para a saúde integral, seja escolher uma rota diferente para caminhar, ler Proust ou priorizar relações sociais.
Tudo isso contribui para construir um cérebro resiliente e para desacelerar o declínio associado ao envelhecimento, tornando também a vida mais gratificante no processo.
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