Estar na mesma sintonia é algo real e pode ter uso terapêutico = Publicação: Trends in Cognitive Sciences => Diário da Saúde
Nós frequentemente temos a sensação de estarmos “na mesma sintonia” que outras pessoas, mas será que a ciência consegue identificar e controlar esse fenômeno?
Yafeng Pan e colegas da Universidade de Nova York não apenas acreditam que essa sintonia pode ser verificada cientificamente, mas também que uma conectividade benéfica entre as pessoas pode ser aprimorada para fins terapêuticos.
Os cientistas montaram um grupo incluindo professores, especialistas de museus e artistas performáticos para projetar e realizar projetos que mediam e visualizavam como as ondas cerebrais de milhares de visitantes de museus, frequentadores de festivais e estudantes do ensino médio se “sincronizavam” durante comunicações presenciais ao vivo.
Os dados, que abrangeram interações entre amigos, familiares e entre desconhecidos, mostraram que as ondas cerebrais se sincronizam em certas interações e que, quando isso acontece, essa sincronia pode ser usada para orientar e aprimorar as interações sociais – em outras palavras, uma forma de construir conexões sociais.
“Nossos anos de experimentos mostram que podemos medir de forma consistente a noção aparentemente inatingível de ‘estar na mesma sintonia’ com outra pessoa – uma sincronia que está ligada a relacionamentos sociais saudáveis,” reforçou a professora Suzanne Dikker. “Dando um passo adiante, também conseguimos desenvolver intervenções que impulsionam a sincronia social.”
Sincronia mental
Ao longo de uma década, os pesquisadores conduziram estudos e projetos nos quais a atividade cerebral de milhares de participantes foi registrada usando uma tecnologia portátil de eletroencefalograma (EEG), que é um dispositivo não invasivo e que começa a ficar disponível em produtos de consumo.
Isso incluiu desde mapear a atividade cerebral de visitantes de museus e estudantes até a de artistas enquanto eles criavam música e viam na tela, em tempo real, o quão sincronizadas estavam as ondas cerebrais dos envolvidos, para que eles pudessem testar diferentes estratégias de sincronização.
No geral, os dados apontam para um fenômeno que a equipe chama de “sincronia social”, que é o alinhamento dos ritmos de cérebros, corpos e linguagem com as pessoas ao redor durante a comunicação social. Por exemplo, em experimentos com estudantes do ensino médio, quanto mais as ondas cerebrais dos alunos estavam sincronizadas entre si, maior era a probabilidade de eles relatarem gostar da outra pessoa, bem como da própria turma.
Os pesquisadores concluem que seu trabalho oferece a possibilidade de encontrar novos caminhos para utilizar a sincronia a fim de melhorar a conexão social.
“A sincronia social desempenha um papel importante em relacionamentos sociais saudáveis e na aprendizagem,” disse Suzanne Dikker. “Por exemplo, indivíduos solitários apresentam atividade cerebral mais idiossincrática, e há evidências crescentes que sugerem que atividades presenciais que envolvem sincronia interpessoal, como jogos ou conversas informais do dia a dia, são importantes para manter a coesão social nas comunidades.”
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