Estudo liga consumo de açúcar na infância a risco de demência – Isabella Almeida => Correio Braziliense
Em um estudo observacional, cientistas liderados pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, na China, descobriram uma relação entre consumo de açúcar no começo da vida e risco de demência mais tarde. O trabalho foi publicado dia 29/07, na revista Neurology, e analisou dados de mais de 67 mil pessoas desde o século passado.
Segundo a pesquisa, ter menos contato com açúcar desde o período gestacional até os dois anos foi associado a um menor risco de desenvolver demência mais tarde na vida. O estudo também descobriu que esse hábito alimentar estava relacionado a um atraso no desenvolvimento do declínio cognitivo.
Os pesquisadores também descobriram que, em pessoas com níveis mais baixos de açúcar no sangue no início da vida, o desenvolvimento da demência foi retardado por, em média, 2,6 anos.
Um grupo menor de participantes também fez exames de imagem cerebral. Pessoas que consumiram menos açúcar no início da vida apresentaram maior volume total de massa cinzenta e menores níveis de hiperintensidades na substância branca, um conhecido marcador de danos ao tecido cerebral. *
Carlos Uribe, neurologista do Hospital Brasília, da Rede Américas, diz que apesar de se tratar de um trabalho observacional, a pesquisa aborda uma relação importante. “O estudo aponta para uma questão que já vem sendo observada há algum tempo: a recomendação de reduzir o consumo de açúcar, especialmente de alimentos ultraprocessados, que costumam conter grandes quantidades de açúcares refinados”, diz o especialista. E o alerta: “Esse padrão alimentar já está associado a doenças como obesidade, diabetes, síndrome metabólica e alguns tipos de câncer. Também existem evidências de uma associação com maior risco de demência”.
“Limitar o consumo de açúcares adicionados durante a gravidez e a infância pode ser uma medida benéfica que famílias e comunidades podem adotar, mas são necessárias mais pesquisas para entender melhor como essas exposições precoces influenciam o risco de demência e para orientar as estratégias de saúde pública”, destacou Jiazhen Zheng, o autor do estudo.
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