Quando todos colaboram, persistimos mais em tarefas para o bem comum (pesquisa)

Quando todos colaboram, persistimos mais em tarefas para o bem comum =Publicação: New Ideas in Psychology =>Diário da Saúde

A percepção do esforço dos parceiros leva a um maior envolvimento das pessoas, influenciando o nosso empenho e aumentando o sentimento de compromisso em ações conjuntas, levando a um maior esforço, persistência e desempenho mesmo em tarefas aborrecidas e exigentes.

Em outras palavras, perceber o empenho de quem está cooperando conosco em uma tarefa conjunta reforça os recursos cognitivos que nos ajudam a manter o compromisso e resistir à tentação de abandonar a ação conjunta.

Em comparação com outras espécies, os humanos cooperam entre si de uma forma mais flexível e em uma maior variedade de contextos. Essa predisposição pró-social nos leva a contribuir para objetivos compartilhados e para os objetivos dos outros, pondo muitas vezes de lado interesses imediatos para beneficiar parceiros e grupos sociais mais amplos.

Apesar de se saber que essa percepção do esforço colaborativo aumenta a nossa vontade de persistir, Marcell Székely e colegas da Universidade Estadual de Milão (Itália) queriam entender melhor os processos cognitivos e motivacionais subjacentes a estes efeitos.

Para investigar os mecanismos envolvidos, a equipe montou experimentos nos quais os participantes deviam realizar uma tarefa monótona de atenção. Antes de cada bloco da tarefa, os participantes observavam o seu parceiro resolver um pequeno desafio visual usado para verificar que um utilizador é humano, como interpretar uma sequência de caracteres distorcidos. Quando essa sequência era curta e rápida de resolver, o parceiro parecia ter investido pouco esforço; quando era longa e demorada, sugeria um esforço elevado. Essa manipulação simples alterava a percepção que os participantes tinham do esforço do parceiro.

Manipulando deste modo a percepção do esforço do parceiro, os cientistas mediram a forma como os participantes respondiam à ocorrência de erros (tempo de reação pós-erro) em uma tarefa. Além de medir os erros diretos na tarefa, os pesquisadores analisaram o abrandamento que tipicamente ocorre nos ensaios seguintes, um sinal de que o cérebro está reforçando o controle atencional para recuperar o foco.

Emergiu um padrão robusto: Após errar, os participantes abrandavam mais quando acreditavam que o parceiro tinha investido muito esforço. Esse abrandamento extra sugere que o cérebro reforça os mecanismos de controle necessários para recuperar o foco e continuar a tarefa, como se mobilizasse recursos adicionais para não comprometer a ação compartilhada.

“Na medida em que a desaceleração após um erro é um indicador de maior controle atencional supervisório, os nossos resultados sugerem que a percepção do esforço do parceiro pode reforçar o controle cognitivo para afastar a tentação de abandonar a ação conjunta,” disse o professor John Michael. “O estudo mostra que perceber o empenho de quem coopera conosco não torna necessariamente a tarefa mais agradável, mas reforça os recursos cognitivos que nos ajudam a manter o compromisso.”

https://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=quando-companheiros-colaboram-persistimos&id=17212

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