Em cima do muro. Porque a neutralidade nem sempre é uma boa estratégia…

Neutralidade pode não ser uma estratégia segura em questões controversas =Pub: Journal of Experimental Psychology General=>Diário da saúde

Na próxima vez que você se sentir tentado a se manter neutro sobre um tema polêmico, é melhor reconsiderar e dizer o que você realmente pensa – ao menos em algumas situações.

Uma pesquisa, baseada em mais de uma dúzia de experimentos envolvendo milhares de participantes, revelou que as pessoas veem com maus olhos a neutralidade declarada dos outros em questões controversas, considerando-os tão moralmente suspeitos quanto aqueles que expressam um ponto de vista oposto ao delas – ou até mais.

O resultado se manteve consistente independentemente de os participantes se imaginarem em um contexto de mídia social ou em um jantar de família durante um feriado. Os assuntos envolveram múltiplos temas, da imigração à legalização da maconha. Não importava se o indivíduo neutro era um político, um colega de trabalho ou um membro da família: Os participantes sempre consideravam essa pessoa moralmente menos valorosa do que alguém cuja opinião coincidia com a deles.

“A neutralidade não lhe dá nenhuma vantagem sobre a oposição,” disse a professora Rachel Ruttan, da Universidade de Toronto (Canadá). “Você não está agradando a ninguém.”

Bom, mas nem tudo é tão simples, o que se revelou tão logo os cientistas invertiam os papéis daqueles que julgavam os defensores da neutralidade.

Os participantes, em sua grande maioria, optaram por manter-se publicamente neutros quando confrontados com uma questão controversa. Ao serem questionados sobre qual opinião expressariam em uma conversa informal no ambiente de trabalho a respeito de ações afirmativas, 59% responderam que seriam neutros, embora apenas 23% compartilhassem dessa opinião em conversas privadas. Mesmo aqueles remunerados por bons conselhos repetiram o padrão.

Um experimento com cerca de 100 profissionais de relações públicas revelou que a maioria aconselharia um cliente com exposição pública a manter-se neutro caso fosse questionado sobre sua posição sobre um assunto polêmico em uma entrevista à imprensa.

Esse duplo padrão – em que a neutralidade é aceitável para mim, mas não para você – pode ter a ver com algo chamado lacuna ator-observador, diz a professora Rachel Ruttan: “Quando estou sendo neutra, sei exatamente o que se passa na minha cabeça – talvez eu esteja genuinamente dividida, talvez esteja tentando manter a paz em um jantar em família. Mas, quando você me observa sendo neutra, você não tem acesso a tudo isso. Você precisa inferir meus ‘verdadeiros’ pensamentos, e é aí que o cinismo se instala.”

No geral, a conclusão dos pesquisadores é que a neutralidade pode ser apropriada em algumas situações, mas não em outras.

“O contexto definitivamente importa,” disse Rachel Ruttan. “Em um jantar em família, talvez seja mais importante encontrar pontos em comum em relação a valores do que a políticas específicas. E, às vezes, expressar sua opinião com coragem pode ser a solução, mesmo que seja desconfortável.”

Mas, no trabalho, a neutralidade pode se pagar rapidamente, sobretudo se a discussão envolverem seu chefe.

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