Lugar onde se vive influencia velocidade do envelhecimento – Felipe Espinosa Wang => Deutsche Welle Brasil
Estudo internacional encontra indícios de que tanto genética quanto geografia impactam na idade biológica do corpo humano.
As pessoas envelhecem mais rápido na Ásia ou na Europa? A resposta, ao que parece, depende de fatores genéticos, mas também dos locais onde elas moram.
Um estudo internacional encontrou indícios de que a geografia e a genética interagem de maneiras complexas, podendo influenciar o envelhecimento. Ou seja, não basta saber de onde a pessoa vem para entender como o seu corpo envelhece, também importa onde o indivíduo vive atualmente. E, segundo os pesquisadores, mudar de continente está associado a diferenças no envelhecimento biológico das nossas células.
Essa é a conclusão de uma equipe de cientistas liderada pela Universidade de Stanford, que publicou na revista Cell uma das análises mais completas sobre como genética e ambiente afetam o corpo humano.
O primeiro grande achado confirmou algo que muitos cientistas já suspeitavam: a ancestralidade genética deixa uma marca biológica profunda e surpreendentemente duradoura.
O estudo analisou 322 pessoas saudáveis de ascendência europeia, do leste asiático e do sul da Ásia, muitas delas recrutadas em conferências científicas internacionais. A ideia foi comparar indivíduos com a mesma origem genética vivendo em continentes diferentes, permitindo diferenciar quais características biológicas estão mais ligadas à genética e quais ao ambiente.
Segundo explicou Michael Snyder, citado em comunicado da Universidade de Manchester, esta foi a primeira vez que se elaborou “um perfil detalhado de pessoas de todo o mundo” capaz de distinguir o que está relacionado à ancestralidade genética e o que se deve à geografia de onde vivem.
O trabalho pode ter implicações importantes para a medicina personalizada. Os autores defendem que o atendimento de saúde deve se adaptar melhor às diferenças entre a ancestralidade genética e o ambiente. Isso coloca em dúvida a ideia de um “paciente padrão”, já que a biologia humana pode variar muito entre diferentes populações.
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