Desigualdade econômica mata muito mais que todos os tipos de câncer juntos

Desigualdade econômica mata muito mais que todos os tipos de câncer juntos => DIÁRIO DA SAÚDE

=Publicadas: Psychological Science in the Public Interest e Psychological Science in the Public Interest=

A relação entre  saúde e riqueza é bem documentada, exercendo um impacto impressionante na expectativa de vida. Por exemplo, nos Estados Unidos pessoas ricas vivem em média até 14 anos a mais do que pessoas pobres.

É uma diferença gritante. Por exemplo, se conseguíssemos eliminar todas as formas de câncer do mundo, isso representaria um ganho de apenas três anos a mais na longevidade média, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Até hoje, a desigualdade econômica tem sido assunto para os economistas. Mas os professores Daniel Connolly (Universidade de Princeton), Nick Chater (Universidade de Warwick) e George Loewenstein (Universidade Carnegie Mellon) acreditam que está na hora de os psicólogos entrarem no assunto.

A ideia é que os psicólogos ajudem não apenas e melhorar nossa compreensão da desigualdade econômica, mas também lancem novas luzes sobre o efeito devastador que ela impõe sobre as populações mais pobres. Ao explorar as dimensões psicológicas da desigualdade econômica, a expectativa é que se possa propor políticas públicas que visem combater a desigualdade e seus efeitos.

“Como é possível que a desigualdade econômica continue tão marginal na agenda política das sociedades democráticas, mesmo com a riqueza sendo constantemente canalizada para uma pequena minoria em detrimento da maioria?” escreveram os três pesquisadores.

A equipe discute várias dimensões psicológicas envolvidas na desigualdade social, destacando o que chamam de “viés do enquadramento individual”, uma tendência a tentar compreender e explicar resultados sociais em termos de características pessoais, como talento e disposição, desconsiderando os fatores sistêmicos (enquadramento sistêmico), que favorecem alguns indivíduos em detrimento de outros em nível muito maior do que qualquer diferença individual.

As soluções propostas a partir da perspectiva desse enquadramento individual focam em mudanças de cada indivíduo, como se eles tivessem a consciência do problema, o roteiro do que fazer e os meios para fazê-lo. Já o enquadramento sistêmico foca na necessidade de atualizar leis, normas sociais e outras convenções que moldam comportamentos e atitudes não apenas dos indivíduos, mas também das organizações e entidades públicas e privadas.

A equipe reconhece que mudar essa situação não é fácil porque ela não é neutra, beneficiando justamente os principais tomadores de decisão. “O viés do enquadramento individual parece ser especialmente prevalente entre as elites que se beneficiam dos arranjos existentes,” escrevem os autores.

Após argumentarem sobre a importância da psicologia para a compreensão da política da desigualdade econômica, os autores delineiam medidas para alcançar uma maior igualdade, incluindo menções a impostos, sindicatos, normas culturais e sociais e ação coletiva.

Eles também abordam como muitos dos desafios discutidos têm o potencial de se agravarem ainda mais na era da IA generativa.

“A trajetória econômica futura da IA e suas consequências são, obviamente, difíceis de prever,” diz o artigo. “Mas, se de fato chegarmos a algum tipo de mundo ‘pós-emprego’, os impactos psicológicos e econômicos serão enormes, e as respostas políticas podem precisar ser radicais.”

Em um comentário na mesma edição da revista, o professor Michael Kraus e seus colegas da Universidade Northwestern delineiam uma abordagem para a política da desigualdade que coloca o público no centro.

“Essa abordagem, argumentamos, é benéfica porque não se limita a insights de uma única história disciplinar nem se restringe aos tipos de desigualdade que pode estudar,” escreveram Kraus e sua equipe. “Em vez disso, uma abordagem centrada nas pessoas para a psicologia política da desigualdade caracteriza-se pela sua abertura e pluralismo em termos de pessoas, métodos, disciplinas e epistemologias.”

https://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=desigualdade-economica-mata&id=17288

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