Filé-mignon marmorizado..( humm) produzido em impressora 3D. Servido ?

O filé vegetal impresso em 3D chega ao varejo americano – Juliana Franco =>iG Tecnologia
Imagine encontrar um filé-mignon ou um bife marmorizado na prateleira do supermercado e descobrir que ele foi produzido por uma impressora 3D. A cena começa a sair do campo da ficção: a empresa israelense Steakholder Foods anunciou a chegada da marca Perfecta ao varejo dos Estados Unidos, com versões vegetais de carnes e peixes feitas com essa tecnologia.
A estreia prevê cinco opções: peito de frango vegetal, filé-mignon, bife marmorizado, hambúrguer de salmão e hambúrguer de peixe branco. A empresa anunciou a distribuição em lojas do Nordeste dos Estados Unidos, mas não detalhou quais redes participam da operação.
A tecnologia segue um princípio semelhante ao das impressoras 3D usadas para fabricar peças e objetos. Em vez de plástico ou resina, o equipamento trabalha com ingredientes comestíveis, geralmente em forma de pasta, creme ou líquido, que são depositados em camadas até formar o alimento.
No caso das carnes vegetais, a proposta é reproduzir características como aparência, textura e distribuição de gordura. Segundo a Steakholder Foods, os produtos podem combinar proteínas vegetais, como soja e ervilha, gorduras e ingredientes usados para ajustar o sabor e a consistência.
A técnica permite organizar os ingredientes de maneira controlada para aproximar a experiência de comer um corte tradicional. É diferente de simplesmente moldar uma massa vegetal em formato de hambúrguer: a impressão em camadas ajuda a construir estruturas mais elaboradas.
A tecnologia, porém, não significa necessariamente que o alimento seja mais saudável, tenha menos impacto ambiental ou seja nutricionalmente superior. Essas características dependem da composição de cada produto, de sua fabricação e de como ele é consumido.
Apesar de as duas tecnologias aparecerem com frequência nas discussões sobre o futuro da alimentação, carne vegetal impressa em 3D e carne cultivada em laboratório não são a mesma coisa.
Os produtos da Perfecta anunciados para o varejo são à base de vegetais. Já a carne cultivada é produzida a partir de células animais, que se multiplicam em condições controladas fora do corpo do animal. O método busca obter tecido animal sem precisar criar e abater um animal inteiro.
A chegada desses produtos ao varejo americano representa mais um passo para levar proteínas alternativas além dos hambúrgueres vegetais convencionais. A impressão 3D permite criar formatos e texturas mais complexos, uma tentativa de atrair quem busca reduzir ou evitar o consumo de carne sem abrir mão da experiência de comer determinados cortes.
A impressão 3D é, portanto, uma técnica de fabricação. Ela pode ser usada com diferentes ingredientes, desde chocolate e massas até misturas vegetais e, em pesquisas específicas, materiais feitos com células cultivadas.
 
O processo costuma usar cartuchos ou seringas com ingredientes comestíveis, depositados por um bico em camadas. A tecnologia já aparece em aplicações como massas com formatos especiais, chocolates decorativos e refeições adaptadas a pessoas com dificuldade para engolir.
 
O desafio será conquistar a confiança de quem compra. A tecnologia pode despertar curiosidade, mas ingredientes, preço, sabor, disponibilidade e clareza das informações no rótulo devem pesar na decisão.
 
A discussão sobre a transparência merece atenção especial: se a impressão 3D é parte importante da proposta comercial, explicar como o alimento é produzido pode ajudar o consumidor a fazer uma escolha consciente. Afinal, inovação na cozinha não elimina a necessidade de informação clara sobre aquilo que chega ao prato.
 
  Dois produtos da Perfecta apareceram listados no Instacart, plataforma de compras e entrega de supermercado nos Estados Unidos: o filé-mignon vegetal por US$ 9,99 e o bife marmorizado por US$ 9,39.
 
  #  A novidade chama atenção não apenas pelo método de produção, mas também por uma questão que interessa diretamente ao consumidor: nem sempre a embalagem deixa claro que o alimento foi impresso em 3D. Segundo reportagem publicada pelo site americano Allrecipes, em 13 de outubro, os produtos anunciados não trazem essa informação de forma explícita no rótulo.
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