Consumo de drogas na juventude está ligado a danos cognitivos no futuro – Gabriela Cupani => Agência Einstein =Galileu=
O consumo em excesso de álcool, cigarro e maconha no início da vida adulta leva à perda de memória na meia-idade, revela uma análise da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, sobre o impacto dessas substâncias a longo prazo. Publicado no Journal of Aging and Health, o estudo reforça a importância da intervenção precoce para proteger a saúde do cérebro mais tarde, mesmo que o jovem não considere seu consumo problemático.
Os autores conduziram uma avaliação longitudinal que acompanhou 2.450 participantes.
Um dos achados é que há uma diferença na forma como esses produtos impactam o cérebro: enquanto o cigarro está diretamente associado ao declínio mental na meia-idade, usar álcool e maconha de forma excessiva tem um efeito indireto. Ao aumentar o risco de consumo de substâncias por volta dos 30 anos, também elevam o risco de perda cognitiva no futuro.
Outra constatação é que mesmo indivíduos que pararam de usar essas drogas tiveram pior desempenho cognitivo na velhice comparado a quem nunca as usou.
Além do impacto agudo, também há alterações estruturais, neuroinflamatórias e na neuroplasticidade que acabam afetando o funcionamento cerebral no futuro. No caso do álcool, há evidências de que ele causa morte neuronal direta.
O cigarro, por sua vez, tem grande impacto vascular. Além de estar associado à inflamação, ele altera a vascularização cerebral, comprometendo o fluxo sanguíneo e aumentando o risco de microinfartos. Já a maconha afeta regiões relacionadas a funções executivas como foco, atenção, memória, velocidade de processamento, resultando em piora cognitiva geral. Vale lembrar que a droga também é um dos principais gatilhos para quadros de esquizofrenia e outros transtornos mentais.
A faixa etária até os 25 anos é um período crítico para todos esses riscos, porque o cérebro ainda está em formação.
E lembre-se: não existe nível de uso seguro dessas substâncias. Mesmo que o estudo não tenha se aprofundado no impacto do consumo recreativo ou moderado, qualquer quantidade ou exposição é prejudicial.





