Homens e mulheres podem lembrar do medo de maneiras diferentes…

Homens e mulheres podem lembrar do medo de maneiras diferentes => Revista GALILEU
Pesquisadores descobriram que experiências de medo são armazenadas no cérebro de modo diferente em homens e mulheres. Os estudiosos identificaram uma marca molecular inédita, conhecida como poliubiquitinação K27, que aparentemente tem um papel fundamental na forma como as mulheres armazenam memórias assustadoras.
Os resultados do estudo, publicado em março na revista Behavioural Brain Research, podem ajudar a explicar porque pessoas do sexo feminino têm o dobro da probabilidade dos homens de desenvolver transtorno de estresse pós-traumático (*TEPT).
“Isso aponta para um mecanismo neurobiológico que é acionado nas mulheres durante um evento traumático e pode ajudar a explicar a diferença que observamos no *TEPT”, diz em comunicado Timothy Jarome , professor associado de neurobiologia no Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia (Virgínia Tech), nos Estados Unidos.
Conforme Jarome, isso sugere que a poliubiquitinação K27 pode estar relacionada tanto à formação quanto à perda de memória.
“Se estivermos desenvolvendo tratamentos para condições como o *TEPT ou tentando melhorar a memória, talvez precisemos de abordagens diferentes para homens e mulheres”.
Liderado pelas ex-doutorandas Morgan Patrick e Shannon Kinkaid, e com a participação de alunos pesquisadores e colaboradores de toda a Virgínia Tech, o estudo se baseou na análise de regiões cerebrais de ratos: o hipocampo, que ajuda a conectar experiências a lugares; e a amígdala, que processa o medo e a emoção.
A equipe conduziu uma experiência de aprendizagem relacionada ao medo nos roedores, notando que os níveis de poliubiquitinação K27 aumentaram no hipocampo de ratos fêmeas logo depois, mas não em machos.
A poliubiquitinação K27 ocorre quando moléculas de ubiquitina se ligam umas às outras através do seu 27º aminoácido (lisina K27), formando uma cadeia molecular. Porém, quando os pesquisadores reduziram esse processo utilizando edição genética, perceberam que as fêmeas tinham dificuldade em reter a memória, enquanto os machos não foram afetados.
Já na amígdala, foi bem diferente: não houve nenhuma mudança significativa nos níveis de poliubiquitinação K27 após a tarefa de aprendizagem do medo. “Normalmente, esperaríamos que a amígdala fosse o local onde isso aconteceria, porque é muito importante para as emoções”, explica o pesquisador. “Mas vimos isso em uma região de memória mais ampla, e era específico para um dos sexos”.
Além disso, os cientistas notaram que, durante a formação da memória nas fêmeas, a nova marca molecular se ligava no hipocampo a uma proteína chamada ACAT1, que é associada ao Alzheimer. 
Agora, ele e sua equipe estudam outras formas de poliubiquitinação, a fim de ver como cada uma pode diferir entre machos e fêmeas. Até então, são conhecidas oito formas dessa marcação, e evidências iniciais sugerem que pelo menos uma delas pode ser mais ativa em machos.
“Só porque homens e mulheres conseguem aprender ou lembrar da mesma experiência não significa que o processo cerebral que leva a isso seja o mesmo”, reitera Jarome.
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